Só conheci O Inferno de Gabriel recentemente quando estava pesquisando alguns dos lançamentos da Editora Arqueiro para postar aqui no blog e fiquei interessada por ele logo que li a sinopse, só não contava que fosse me apaixonar pela trama.

Julianne Mitchell, há muito foi encantada pela história de Dante e Beatriz, hoje ela é uma estudante de mestrado de 23. Sua meta? Conseguir se especializar em Dante. Ela se vê aceita em nas faculdades de Toronto e Harvard, ela acaba aceitando ir para a primeira por não ter dinheiro suficiente para custear a vida em Boston. Assim ela acaba conhecendo o terrível professor Emerson.


Ele é um tipo diferente, autoritário e muito misterioso. Logo na primeira aula ele a sua mais nova aluna acabam tendo uma pequena discussão que culmina em uma total e completa humilhação para a doce e inocente Julia. O pior de tudo? Ele é o único especialista em Dante de toda a Universidade o que significa que ela vai ter que engolir as grosserias.
— Não acredito em você.
— Não acredita que é de longe a mulher mais bonita daqui? Com todo o respeito à minha irmã, claro. Ou que eu, um canalha com o coração de gelo, fosse querer dançar uma música bonita com você?
— Não estou fazendo, Julianne.

Por outro lado, graças a esse pequeno desentendimento ela conhece Paul, um estudante de doutorado e o assistente do professor. Ele fica com pena da pobre Coelhinha (ele chama Julia assim por um bom número de páginas) e acaba chamando o professor de babaca através de um bilhete que ela se apressa em guardar em sua mochila. 

O problema é que Julia havia sido convidada (para usar um termo legal) a ir à sala de Emerson. Ao chegar lá ela vê a que a porta está entreaberta e nota que ele está em uma conversa ao telefone. Por acaso ela escuta uma parte da conversa e deixa um bilhete dizendo que esteve lá e sente muito, adivinhem, adivinhem? No verso do papel estava escrito "Emerson é um babaca"! Será que ela terá problemas? Claaaaro que sim!

Bom, para falar a verdade a confusão não para por aí, pouco depois ela descobre pelo seu que Grace Clark, sua mãe adotiva, que na verdade é apenas a mãe de sua melhor amiga, havia morrido. Ela pede para enviarem flores à Rachel com um cartão dizendo que sente muito e que a ama. Mas é aí que a confusão: Grace era a mãe adotiva de Gabriel (mais conhecido como professor Emerson!) e quando ele volta do enterro está furioso com a garota. Ele a expulsa da faculdade, mas não sem antes a humilha-la, de novo!

— Deixem-me ser bem claro: apesar de eles terem ficado separados um do outro por anos e anos, Dante a deseja. Ele a quer por inteiro. A castidade dele se torna ainda mais virtuosa por causa da intensidade de seu desespero e desejo.
 
Certas coisas acontecem e ele acaba aceitando que ela volte para o curso de mestrado e, por causa desses mesmos fatos ocorridos, ele começa a se interessar pela bela Julianne, mas este é um interesse fado a fracassar pois as regras da Universidade não permitem relacionamento entre professores e seus alunos. Mas a vida é uma caixinha de surpresas, não é? Quando a jovem Julia menos espera encontra com Rachel em Toronto e isso acaba fazendo as coisas ficarem aindas mais estranhas entre o professor e sua pupila.

O que nós descobrimos bem no começo do livro é que Gabriel e Julia tiveram um envolvimento no passado. Houve um momento em que os dois se envolveram, mas Julia era apenas uma adolescente e ele estava bêbado, então não se lembra de sua linda Beatriz, a garota que o salvou dele mesmo. Depois de tantos anos ele vai conseguir se lembrar de sua bela Beatriz (ele a chamava assim no passado)? E será que conseguem trespassar os obstáculos que podem surgir caso eles se envolvam?


— Na filosofia de Dante, a luxuria é um amor inapropriado, mas, ainda assim, um tipo de amor. Por esse motivo, é o menos grave dos sete pecados capitais, e é por isso que Dante posiciona o Círculo dos Luxuriosos logo abaixo do Limbo. A luxuria está relacionada ao maior dos prazeres terrenos...
Gabriel lançou um olhar para Julia, que o encarou de volta, petrificada.

Qualquer um que me siga no twitter, tenha me adicionado no facebook ou skoob, sabe que esse livro foi bastante marcante para mim. Realmente me envolvi com os dramas que cada personagem tem, principalmente os de Gabriel pois são mais profundos e devastadores que os de Julia.

Simpatizei-me muito Julia no que diz respeito ao sentimento que nutri por Gabriel, pois tenho eu mesma uma história parecida na minha vida pessoal, não vou me estender no assunto, mas acho que todos sabem que determinados momentos, mesmo os curtos, podem fazer você ficar apaixonada.

Ainda sobre a nossa protagonista devo dizer que ela também possui sua própria carga de dramas, mas nem de longe se compara com a de Gabriel. Mas no caso dela, o que viveu durante sua infância e adolescência acabaram por deixá-la fragilizada e isso a tornou uma pessoa frágil e insegura, principalmente quando o assunto é si mesma e esse é um dos fatos que mais me irritou no livro.

— O sexo é adequadamente entendido como uma experiência não só física como espiritual: uma união arrebatadora de dois corpos e duas almas, que seria como a alegria e o êxtase da união com o Divino no Paraíso. Dois corpos unidos pelo prazer. Duas almas unidas pela conexão entre seus corpos e pela entrega sincera, passional e altruísta de todo o seu ser.

 Ao invés de Julianne ser uma personagem forte, determinada e, ainda assim, doce, Sylvain Reynard prefere construir alguém que é tímida e insegura. Acredito de verdade que heroínas devem ser inspiradoras e não submissas ou covardes, essa é a conduta da nossa personagem durante 99% do livro.

Personagens secundários são muito bem trabalhados na trama, mesmo que não tenham muitas cenas, isso graças a narrativa em terceira pessoa que permite um giro de 360º quando é conveniente à Reynard. Essa perspectiva é, em demasia, importante para o leitor já que nos permite ver a situação sob o ponto de vista dos outros personagens, mas pode ser um tanto confusa se não prestar atenção pois a mudança de foco acontece rapidamente e, na maioria das vezes, sem nenhum sinal da diagramação.

Duas coisas em especial chamaram a minha atenção. A primeira delas é que este é um New Adult diferente, claro que há a tensão sexual entre Gabriel e Julia, mas vi que a história tem seu foco no pecado e redenção, o que trás uma carga emocional pesada e durante algumas passagens somos chamados a pensar sobre algumas situações e atitudes importantes e eis que o livro evidencia o perdão, mas não apenas aquele de uma pessoa para com a outra, o que ambas as personagens procuram é perdoar a si mesmas.


Gabriel sorriu consigo mesmo ao ver Julia cruzar e descruzar as pernas, deliciando-se com a reação dela enquanto fazia uma pausa para tomar um gole de água.
— A ideia de um orgasmo simultâneo, do êxtase de um parceiro se confundindo com o do outro, ressalta a intimidade compartilhada da união física e espiritual. Ofegar, se contorcer, tocar, desejar e por fim, gloriosamente, gozar.

Gabriel se deteve, lutando para não olhar para Julia e chamar atenção para seu rosto vermelho e cabisbaixo. Ele pigarreou e abriu um pequeno sorriso malicioso.
— Alguém aí está tonto? 

Respondendo a pergunta do professor, eu estou (~hahahahaha).Bem, a segunda é o vasto conhecimento de Reynard sobre Dante, especialmente sobre Divina Comédia. É notável a pesquisa feita para dar embasamento ao pensamento teórico do professor. Mas por que isso me chamou tanta atenção? Porque sou fascinado por esse clássico desde que a li, muitos anos atrás. A ideia do amor casto entre Batrice e Dante sempre me tocou e ver um autor explorar tão bem o assunto me fez ficar ainda mais ligada ao livro.

Não sei o que acho dessa capa, às vezes ela me agrada outras não. A diagramação do livro foi um pouco decepcionante, ao meu ver. Depois de acreditar que a Arqueiro havia banido de vez de suas publicações eis que ela ressurge: os capítulos iniciam-se na mesma página em que o anterior termina quando há espaço. Acho esteticamente feio.

Uma última curiosidade para vocês pessoal: Sylvain Reynard é um pseudônimo, mas não se sabe quase nada sobre ele, inclusive há especulações de ele seja ela.


Julia nunca se perguntava por que coisas ruins aconteciam com pessoas boas, pois já sabia a resposta: coisas ruins aconteciam com todo mundo. Não que isso servisse de desculpa ou justificasva para fazer mal outro ser humano. Ainda assim, todos tinham uma experiência em comum: a do sofrimento. Ninguém deixava este mundo sem verter uma lágrima, sentir dor ou navegar pelos mares da tristeza. Por que a vida dela deveria ser diferente? Por que ela recebria um tratamento especial, privilegiado? Até Madre Teresa sofreu, e ela era uma santa.

Nós já temos o nome do próximo livro, O Julgamento de Gabriel, que tem seu prólogo e primeiro capítulo no final deste e a capa divulgada nas costas, acredito que não deve demorar a ser lançado esse segundo livro (estou torcendo para isso). Bem, depois de escrever tanto para vocês sobre esse livro e, principalmente, mostrar os pontos contra e a favor só posso mesmo dar quatro estrelas.


Classificação final:



Título: O Inferno de Gabriel
Série: Gabriel's Inferno
Livro: #1
Páginas: 447

Autor(a): Sylvain Reynard
Tradutor(a): Fabiano Morais
Editora: Arqueiro