[AUTOR DO MÊS] Conteúdo Exclusivo Por Thais Lopes

janeiro 21, 2018 Paraíso Literário 20 COMENTÁRIOS


Quando a Aninha me falou sobre o post desse fim de semana, a primeira coisa que pensei foi “opa, capítulos de material novo”. Aí lembrei que ele ia sair depois do lançamento do box Nas Sombras da Cidade e não tenho mais nada novo guardado aqui. Então vou voltar para a minha primeira paixão: construção de mundos.


Construir um mundo é, para mim, a parte mais importante do desenvolvimento de uma história. Não importa o gênero que se está escrevendo, se você não entender onde a história está acontecendo, como vai entender a história? O ambiente influencia tudo o que acontece, o que é possível ou não, e até mesmo quem são seus personagens. E sim, isso importa tanto se você estiver escrevendo um romance contemporâneo quanto uma alta fantasia – mesmo que na alta fantasia a construção de mundo vá ficar bem mais clara, por motivos óbvios. Por ser minha área, além de mais óbvio, é justamente na construção de mundo para fantasia que vou focar hoje. Ou melhor, em um detalhe específico da construção de mundo: limites.

Uma das coisas mais importantes quando se está construindo um mundo é dar limites e regras para ele. É a base para fazer um mundo “realista”. Pensa comigo: se você tem um mundo de fantasia com algum tipo de magia, e a magia não tem nenhum limite claro, você não tem riscos. Qualquer coisa que aconteça pode ser resolvida magicamente, é só pensar um pouco e jogar algo lá, porque não existe nada que te impeça. Tudo é simples e fácil. Cadê a graça?

Nós temos limitações, o mundo ao nosso redor tem limitações. Eu não posso simplesmente acordar um dia e decidir que vou sair voando por aí – o tombo vai ser maravilhoso. Essa mesma lógica tem que ir para os mundos de fantasia. O que a magia do mundo te permite fazer? Qual é o limite? O que é possível e o que não é? Qual é o custo de usar essa magia? Ou no caso de seres sobrenaturais: o quê esses seres podem fazer? Por quê? Com qual frequência? Definir tudo isso é muito importante, porque é o que dá aquela sensação de “realismo” para um mundo.

Não importa se sua magia é alguém jogando bolas de fogo ou um vampiro numa cidade – é preciso entender até onde ela vai. Qual o custo de uma bola de fogo para quem está usando a magia? O que seu vampiro pode ou não pode fazer? Sua magia é só bolas de fogo, ou alguém pode fazer bolas de gelo também? Até onde a bola de fogo vai? Ele fica cansado? Ele fica sem forças? A bola de fogo fica fora de controle quando ele está com raiva? São esses detalhes que fazem um mundo fantástico parecer real.

Outro motivo para isso ser importante é evitar furos de roteiro. Já passei muita raiva com livros que estava gostando em cenas onde a protagonista acabava cercada, mas estava exausta e não conseguia mais usar magia. Eu sempre fico naquela expectativa do “e agora”, esperando que as coisas deem certo, mas com medo de realmente darem errado, sem saber como a protagonista ia escapar... E aí do nada, olha só, por algum milagre a personagem volta a conseguir usar magia. Aquela tensão toda criada ao redor da cena vai pelo ralo. Pode funcionar? Pode. Mas sempre me passa a impressão de que é um “atalho”. Que o autor fez suas regras e ignorou quando ficou complicado – ou que nem mesmo se preocupou com isso.

O que a magia que eu tenho no meu mundo faz? Ou melhor, o quê é a magia que tenho no meu mundo? Até onde ela vai? Ter essa consciência é importante, e é uma coisa que eu demorei anos (e muitos puxões de orelha) para aprender. Se você muda as “regras” o tempo todo, seu mundo nunca vai parecer real. E seu mundo não parece real, os riscos não são reais, suas cenas perdem impacto e a história em si se torna menos do que poderia ser.

Agora, como isso se transfere para fora da fantasia? A forma mais simples é o dinheiro. Personagens que parecem ter uma conta com dinheiro infinito. Que têm todo tipo de recurso na mão, sem nenhum tipo de limitação. Eles podem ser bons? Pessoalmente, nunca vi um assim que gostei. Até os personagens e situações mais apelões costumam ter algum tipo de limite – é o que torna os conflitos de uma história mais divertidos. Pelo menos o meu sentido de divertido xD

Espero que esse texto seja útil para quem estiver lendo aqui e que escreve. E para quem não escreve, espero que pelo menos se divirtam um pouco com o que está por trás das coisas doidas de vida de escritor.


Texto rescrito pela Thais Lopes exclusivamente para o Paraíso Literário. Não reproduza (integral ou em parte) sem permissão.

20 comentários:

Jessie disse...

Thais é maravilhosa! Eu fiquei boba com as dicas que ela deu. São coisas que realmente fazem a diferença na hora da construção de uma realidade. Ela é realmente fantástica e os livros também devem ser!

Olá!

Eu não me lembro de conhecer essa autora, mas eu amei demais ler essa matéria dela. Que dicas incríveis e realmente válidas. E quanto a essa sua iniciativa, essa é a primeira vez que vejo esse tipo de matéria> Meus parabéns, é muito original e interessante! Gostei demais!

Ingrid Cristina
Blog Catarse Literária

Nossa, é a mesma coisa que eu penso quando leio um livro de fantasia. Como será que as pessoas pensam que escrevem quando geram algo ou criam um mundo? porque nem tudo pode ser perfeito senão vira um cenário impossível. Por isso nem sempre me apego ao gênero porque algumas cosas saem do controle.

Diane disse...

Olá...
Adorei as dicas, todas são muito válidas e creio que irá ajudar bastante quem está escrevendo algum livro ou conto...
Furos no roteiro é a pior mancada de todas kkk... Dá a sensação de desleixo total com a história :)
Bjo

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

Gostei muito do texto, sem dúvida é uma leitura que todos que se aventuram em escrever uma fantasia deveria ler.Sempre digo que a escrita é um dom e eu particularmente não tenho, por isso apenas admiro os que o possuem.

Beijos.
https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

Oie
Adorei o texto. Eu amo o gênero fantasia mas sinto que em alguns livros tem muitos furos, como etá escrito no texto: me passa a impressão de que é um atalho. Eu escrevo e amo fazer isso porque é como se eu viajasse para outro mundo. Quando sento de frente o computador e digito, tudo ao redor some sabe, é uma sensação maravilhosa. Mas claro que só faço isso por hobbie. Imagino como deve ser um escritor mesmo e suas doidices na hora de escrever. Amei o texto.
Bjos, Bya! 💋

Thalia Mirelly disse...

Olá!
Quem me colocou no mundo dos nacionais?THAIS.Foi com um primeiro livro dela que eu comecei minha jornada.
Pensa em ser que tem mil mundos na cabeça na última vez que perguntei ela tinha uns 20 e tantos,agora eu nem sei mais.kkkkkk
O que ela falou é de extrema importância.Tudo tem limites mesmo em um universo de romance é preciso ter os limites.
Não escrevo,mas acompanho os livros da Thais a um bom tempo e sei como são realistas e fantásticos.
E ODEIO CEO cheio de dinheiro infinito,geeeeeente chaaaaaaata.
Siga as dicas de Thais que você vai longe.
Beijos

Suzzy Chiu disse...

Heiii, tudo bem?
A Thais é um amor!
Conheço ela pessoalmente e adoro demais essa energia boa dela, adorei as dicas e concordo com o que ela falou sobre entender melhor o ambiente pra depois partir pra história.
Não tenho vontade de escrever um livro, mas vi mta coisa boa nessas dicas, ainda mais pra quem vai escrever fantasias.
Beijos.

Livros e SushiFacebookInstagramTwitter

Book Obsession disse...

Olá!
Acho que a magia tem que estar naquilo que a gente faz. No caso das leituras vejo também como magia a forma como o autor consegue nos trazer e nos tornar parte da magia que ele criou independente do gênero literário, existem autores que fazem isso de forma tão graciosa que se deixar todos os livros teremos esses sensação de estarmos lá dentro das páginas vivendo em meio aos personagens em meio uma escrita maravilhosa.
Gostei bastante do texto e da forma como você conseguiu esses assuntos para nosso conhecimento.
Espero ver mais dessa autora por aqui.
Beijos!

Camila de Moraes

Acho esse tema tão importante e tao pouco falado! A construção de mundos é primordial para uma boa história, ela pode ser detalhada demais e nos desinteressar, ou pode ser futil demais e não nos prender nem um pouco, é importante saber dosar, adorei esse post!

Olá, tudo bom?

Que dicas maravilhosas! Eu tenho o desejo de escrever, mas com a vida atribulada, nunca consegui ter tempo para sentar e colocar as ideias no papel. Mas uma coisa que eu nunca tinha pensado é sobre esses limites. Se pararmos para analisar, realmente é meio frustante quando criam mundos que não há esses limites, pois (como você falou) até na vida real nós temos. Eu nunca pensei em criar um livro de fantasia, já que é o gênero que eu menos leio, só que o seu texto me deu algumas ideias xD

Enfim, adorei a postagem e agradeço as dicas :)
Abraços.

Tahis disse...

Olá!
Ótimo post, ótimas dicas para quem esta escrevendo, é importante identificar o mundo que se está criando e acho que quando se sabe exatamente disso, as coisas fluem e fica mais fácil de desenvolver a história. Adorei o post e me dei uma ajuda para as minhas ideias rs' obrigada por compartilhar!

beijos!
http://blogdatahis.blogspot.com.br/

Oi, tudo bem?
Adorei o post. Uma das coisas que mais me preocupa em um livro é a ambientação e a construção do universo Em livros de fantasia, isso fica mais evidente porque é uma realidade diferente do mundo real, então, o autor precisa construir de uma maneira que fique claro para quem está lendo.
Por enquanto, não pretendo escrever, mas adorei o post e vou levar as considerações feitas, caso algum dia eu pretenda me aventurar no mundo da escrita.
Beijos!

Adoreeei o texto da Thais!! Construção de mundo é algo fundamental para uma boa história, principalmente se tiver alguma fantasia, sobrenatural ou distopia/utopia no meio. Quando a história não tem um cenário bem montado, com uma estrutura bacana e convincente, não vale muito para mim e vou ficar completamente perdida.

Parabéns pela ideia do post!

Beijos

Tamires Marins disse...

Oi, Thais

Concordo com você em gênero, número e grau. Eu não curto fantasia e um dos principais motivos é: eu não acredito nelas. E ok, é uma fantasia, ficção, mas o leitor tem que acreditar na história que o autor está contando. Vide Harry Potter, que é a única série de fantasia que eu amei, ela tem limites! Temos feitiços, bruxos poderosos, mas a morte, por exemplo, não pode ser vencida. Há regras, há um ministério, há punições e mais uma infinidade de coisas. Claro que ela tem falhas, mas a ambientação é tão bem construída que o leitor até releva.
Achei sua dica preciosa e dá vontade de marcar uns autores! Hahahahaha


Beijocas
- Tami
http://www.meuepilogo.com

Dryh Meira disse...

Oiee ^^
Livros onde o cenário (o mundo) não é bem construído são tão fraquinhos, né? Acho ruim ler uma história onde o autor não se dá nem o trabalho de construir uma cidade ou seja lá o que for em volta dos personagens, principalmente se for fantasia - que ao meu ver é um pouco mais difícil de escrever por conta disso *-*
MilkMilks ♥

Olá Ana, tudo bem?

Eu até tentei começar a escrever, mas sem o apoio primordial (dos pais), isso se torna humanamente impossível. Mas hoje vejo que talvez não teria saco para passar por todos esses processos. Vou deixar minhas histórias no meu imaginário, hahaha.

Beijos
@blogodiariodoleitor

Adorei as dicas, são detalhes como esse que fazem a diferença na hora de escrever, já tentei escrever várias vezes mas nunca foi algo relacionado a fantasia.

Bell Paula disse...

Oie, tudo bom?
Adorei as dicas.
Eu tenho uma história que tento terminar há alguns anos, mas infelizmente eu empaquei e também sou dona de procrastinar as coisas, principalmente escrever. Minha história não é relacionada a fantasia, é romance, mas quem sabe no futuro eu não me arrisque na fantasia?

Beijos.
www.manuscritoliterario.com.br

Olá Thais,
Eu sou fascinada por livros de fantasia e, apesar de arriscar alguns escritos, eu não me vejo escrevendo um livro de fantasia, pois exige demais, sabe? A construção de um mundo e personagens totalmente fictícios é bastante complicado.
Você escreveu seu texto com muita propriedade e vou compartilhar com um amigo que está escrevendo o gênero.
Beijos

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