[RESENHA] Cidade Perdida

fevereiro 15, 2018 Aninha Goulart 1 COMENTÁRIOS


Oiii seus lindos, a resenha de hoje é de um livro que me tirou total e completamente da minha zona de conforto: Cidade Perdida, que é um livro policial ambientado no Rio de Janeiro. E o gênero não é muito a minha praia, então me senti desafiada pela história e agora vou contar um pouquinho do que achei.

Em uma sociedade onde os políticos passam a desejar cargos de acordo com o valor das propinas, os policiais negociam com traficantes e a imprensa noticia o que dá mais audiência, as pessoas acabam perdendo a sensibilidade para a violência e assim a justiça ganha novos significados.

Em meio ao caos está a inspetora da polícia civil Lana Garcia, a única investigadora capaz de desvendar todos os crimes que caem em suas mãos. Temida por todos que exercem o mínimo de poder, Garcia protege a cidade à sua maneira e só confia em uma pessoa para ajudar: o comissário Germano, a quem chama de mestre. Porém, as diferenças começam a surgir quando investigam um assassino em série que tem como alvos homens poderosos de uma emissora nacional de TV.

As mortes transbordam e o silêncio da população sustenta a desordem nutrindo a ideia de que nem toda legalidade é justa e, por isso, toda justiça é válida. Assim é fácil concluir porque vivem na Cidade Perdida, difícil é continuar sobrevivendo.

Como eu disse estórias policiais não são muito o meu gênero e por isto o livro me tirou da minha zona de conforto, mas foi uma grata surpresa porque me vi louca tentando descobrir que era o serial killer. O livro é pequeno e para quem já tem costume com o gênero acredito que seja uma leitura rápida, mas como eu precisava me ater aos mínimos detalhes para não me perder no enredo, acabei demorando um pouquinho mais para ler.

Os personagens são bem construídos, com personalidades fortes e bem claras, principalmente a Garcia, apesar de eu achar ela total e completamente louca, e por pior que seja em alguns momentos ela acredita que está fazendo o certo. O Comissário Germano foi para mim a imagem daquele profissional prestes a se aposentar: ainda acredita na causa, mas fica apático deixando a pupila fazer o que achar melhor, não me levem a mal, achei ele muito inteligente e perspicaz em diversos momentos, mas em outros ele é total e completamente apático.

Outro ponto que me incomodou bastante e que eu sei que é a realidade de muitos policiais (até porque conheço vários que pensam assim) é aquele ideal de que Direitos Humanos é só para bandido e que bandido bom é bandido morto, eu entendo o sentimento de revolta que gera quando se lida com este tema, e apesar de ser incomodo ter esta realidade esfregada na minha cara, achei interessante à escolha da autora de tratar tão claramente a visão das pessoas que lidam com está realidade.

 A maneira como a autora conduz os fatos me deixou com dois sentimentos: revolta e realismo. Revolta porque a maneira como a cidade se perda na violência e na corrupção é muito clara e realismo porque infelizmente é o nosso país, é o Rio de Janeiro e a vivencia que as pessoas tem, o que me deixou diversas vezes com o pensamento de quantos policiais realmente agem assim e quão podre a nossa sociedade ainda pode ser.

É uma obra com uma critica imensa e que veio para jogar toda a realidade da violência do nosso país bem na nossa cara. Uma frase da Garcia me marcou muito: “[...] eles são representantes do povo; se os políticos são obscenos, nós somos obscenos”. É muito forte pensar que as coisas estão como estão porque nos elegemos quem está à frente, que o trafico se movimenta junto com a politica e que a maioria das coisas gira em torno da corrupção, mas pior é admitir a culpa que nos mesmo temos: de que fomos nos que elegemos aqueles que irão nos representar.


De uma forma geral foi uma obra muito interessante, com uma serie de crimes principais (os assassinatos feitos pelo Serial Killer) que mostraram a realidade e dificuldades de uma delegacia, e como as pessoas que tentam proteger a cidade precisam lidar com a verdade do que se vê nas ruas. Foi um livro que eu gostei bastante, mas que me deixou um final muito aberto, o que gerou uma curiosidade sobre o que em a seguir e espero que descubra isto logo.







Título: Cidade Perdida Páginas: 163 | Autor(a): Nathalia Alvitos Editora: Chiado | Ano: 2017

1 comentários:

Alice Duarte disse...

Oiieee

Esse é o tipo de livro que todos deveriam ler, porque é atual e verdadeiro, traz mais do que uma reflexão mas um senso de realidade e de debate. Adorei a dica, não sou exatamente fão do gênero mas com certeza esse eu leria.

Beijos

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