[RESENHA] Os Rokesbys #1: Uma Dama Fora Dos Padrões


Oiii gente, hoje eu vim contar para vocês sobre o novo livro da Julia Quinn, "Uma Dama Fora dos Padrões" primeiro volume da série "Os Rokesbys", lançado no dia primeiro desse mês, pela Editora Arqueiro. Continue lendo para saber mais sobre a obra. 

Billie Bridgerton era, para todos os efeitos, o filho mais velho do pai. Enquanto outras jovens liam Shakespeare, bordavam e sonhavam com um marido, Billie cuidava da propriedade da família, lia livros sobre gestão agrícola e usava calças.

Aos 23 anos de idade, todos na família esperam que Billie se case com um dos filhos do casal Rokesby. As duas famílias são vizinhas e amigas por gerações. Billie só enxerga como possibilidade Andrew e Edward, pois são seus melhores amigos desde a infância. Os dois são ótimas opções e seriam maridos perfeitos, bastando apenas um pedido. 

Mas há na família um irmão que Billie não suporta: George. Ele é o filho mais velho dos Rokesbys, e é o herdeiro do condado. Os dois não se suportam, estão longe até mesmo de serem meros conhecidos, e vivem trocando insultos.

Mas quando um gato preso em uma árvore os obriga a ficarem juntos num lugar totalmente inusitado, uma nova emoção começa a surgir no peito de cada um. E quando eles se beijam, descobrem que não estavam assim tão certos de suas convicções.

Gente, aquele velho ditado, não julgue o livro pela capa. Eu fui toda empolgada na leitura achando que ia ser maravilhosa, mas tive uma decepção terrível.

Essa série conta a história da família Rokesby, que são amigos e vizinhos dos Bridgertons. E se você está na esperança de conhecer um pouco mais da vida de Edmund antes dele se casar com a Violet, sinto dizer, mas vai se decepcionar, pois ele quase não é citado nesse livro. Além disso, a família Rokesby não tem quase nenhum foco no livro, o que eu achei bem sem graça. 

O livro é narrado em terceira pessoa, o que seria um ponto positivo se tivesse foco em todos os personagens, mas o foco é só nos mocinhos da trama. Isso é algo que me incomoda bastante em uma leitura, gosto quando todos os personagens têm seu momento.

A Billie começa o livro como uma garota forte e que não precisa da ajuda de ninguém, ela age primeiro e pensa depois, gosta de fazer tudo sozinha, mas ao longo da trama, a medida que se apaixona, ela fica sensível e instável.

O George é o mocinho mais sem graça de todos os tempos, ele é reservado e vive se lamentando por não poder lutar pelo país e pelo rei como os irmãos, detesta sua posição e suas obrigações de filho mais velho.

No inicio do livro, os insultos trocados entre os dois eram muito engraçados, mas no desenrolar da história, eles foram ficando repetitivos e sem emoção, e a todo o momento um deles se ofendia. Gosto muito do casal gato e rato, que a toda hora trocam insultos e vivem discutindo, mas isso quando eles têm química, o que não foi o caso da Billie com o George.

A paixão dos dois foi algo instantâneo, não mostra a evolução desse amor, de repente, um gosta do outro e pronto. Nada como (Nossa, eu o odeio, mas olha como o rosto dele é lindo, e essa boca...), (Que garota mais ridícula, mas por outro lado, como eu nunca reparei nas lindas ondas do cabelo dela?).

Algumas coisas me incomodaram muito na escrita da autora, como quando ela deixa uma frase no ar, com três pontinhos. Não seria problema se ela seguisse um raciocínio e deixasse claro o que a personagem quer dizer, mas no final as frases se encaixam com qualquer coisa, muitas vezes eu tinha que continuar sem entender e seguir a leitura.

Outro ponto que me irritou na obra foi o fato de as coisas nunca acontecerem, eu já estava mais da metade do livro e nada acontecia, nada mesmo, isso deixou a leitura arrastada e cansativa. Nunca demorei tanto para ler um romance de época. 

A família Bridgerton é toda fora dos padrões, assim como a Billie, seu pai a deixa usar calças, montar a cavalo, ser uma espécie de filho mais velho e cuidar de toda a propriedade. Eles não se importam nem um pouco com as regras da sociedade, a menos que estejam em público, não são nem um pouco convenientes. E sendo assim, a personalidade da Billie é meio que um reflexo do ambiente em que foi criada.

Quando peguei o livro, eu pensei que seria a história de uma garota que não se encaixa por pensar diferente, por agir diferente. Mas não, ela age exatamente como foi criada. Mesmo que sua mãe a obrigue a usar vestidos em bailes e eventos, ela não se incomoda da filha usar calças quando esta em casa e andando pela propriedade. Ela sempre foi encorajada a ser assim. Mesmo que seja incrível ter uma mocinha que questiona as regras da sociedade naquela época, eu esperava algo diferente. 

Ao decorrer da história, a autora cria alguns conflitos para mostrar como a Billie é independente e fora do padrão, mas logo em seguida ela cria uma cena em que a mocinha é submissa aos desejos e emoções do George, bastando apenas que ele demonstre um pouco de afeto. 

Muitas cenas foram jogadas no livro deixando o entendimento a cargo do leitor, acho que poderiam ter sido muito mais bem trabalhadas, deixando claro as intenções e ações da Billie. 

A autora constrói uma mocinha decidida e forte, para depois transformá-la em uma garota que chora de preocupação quando o homem que ela ama chega tarde da noite em casa, mesmo que mais cedo ele a tenha deixado sozinha no baile e ido dançar com outra mulher. Detalhe, ao decorrer da trama fica bem claro que ela não chora por motivo algum, e lá estava ela, chorando por macho.   


O Andrew foi o personagem que mais me cativou no livro, ele trabalha na Marinha, e foi mandado para casa por ter tido um ferimento no braço. Ele tem um ótimo senso de humor e adora implicar com Billie, os dois vivem em função disso, mas são ótimos amigos. As rusgas entre os dois foram o que salvou o livro. Andrew não leva nada a sério, e está sempre rindo e brincando. Acredito que seja por isso que tenha sobrevivido tanto tempo na Marinha, ele deixa qualquer ambiente mais leve para se viver. 

Os outros personagens na história quase não têm voz, o que me deixou bastante frustrada. O irmão mais novo de Billie, Edmund, quase não é citado no livro. E sua irmã mais nova, Georgiana, é tratada super mal por Billie, sendo sempre esquecida e excluída.

A reviravolta do final é previsível desde o começo. Só tem uma notícia um tanto esperada sobre o Edward, irmão de George, que sumiu na colônia de Connecticut.

A arte da capa é maravilhosa, geralmente eu não gosto de livros com rostos nas capas, mas esse ficou incrível, o livro possui folhas amareladas e uma diagramação simples, o que incomoda na edição é que um capítulo começando onde outro termina.

Bem, não faço ideia de qual vai ser a história do próximo livro, talvez eu compre, por causa da capa, que é tão maravilhosa quanto essa (sim, eu compro livros pela capa, me julguem).

Mas é aquela coisa, um livro conta uma história diferente para cada pessoa, é uma pena esse livro não ter funcionado para mim, mas isso não quer dizer que não funcione para você.







Título: Uma Dama Fora dos PadrõesSérie: Os RokesbysPáginas: 270 
 Autora: Julia Quinn Tradutora: Viviane Diniz | Editora: Arqueiro | Ano: 2018
Comentários
10 Comentários

10 comentários :

  1. E eu aqui na maior expectativa achando que ia ser um livrão da por#@...

    ResponderExcluir
  2. Oie! Nossa, estou na metade desse livro (há dias, diga-se de passagem) e parece que a história não anda. Também fui cheia de expectativas e por enquanto nenhuma delas se concretizou. A capa é linda e a premissa é ótima, mas também estou bastante chateada com a mudança que a personagem está sofrendo, ela era ótima no começo e de repente suas ações não fazem sentido D: mas né, enfim, vou ficar esperando pela reviravolta do final se concretizar e quem sabe mudar um pouco minha opinião haha (e miga, somos duas, também compro livros pela capa!)
    Beijos!

    ResponderExcluir
  3. Oi, tudo bem?
    Foi bem recentemente que tive meu primeiro contato mais firme com romance de época e justo com um da Julia Quinn, que foi Simplesmente o Paraíso, e gostei muito dele, já querendo ler mais dela quando terminei a leitura, e esse lançamento dela aqui estava incluso na lista. Uma pena, porém, que a história tenha prometido tanto mas feito pouco, de certa forma. Achei bacana isso da mocinha ter uma criação de outro modelo fora do padrão da época, mas isso de ainda acabar derretida demais no mocinho e submissa até já me irritou um pouco. Complicado que mesmo os personagens da família tenham sido mal apresentados na trama, só salvou o Andrew - que já gostei, aliás, hehe -, mas talvez eu ainda dê uma chance depois para tirar minhas próprias conclusões. Valeu mesmo assim! =)
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ Sonhando aos Vinte ♥

    ResponderExcluir
  4. Oie!
    Nossa, que pena que não gostou totalmente do livro. COnfesso que estou bem empolgada com essa história, mas já sei que vou ficar que talvez tenha detalhes que eu não vá gostar muito da trama. Mesmo assim, ainda estou bem empolgada com a leitura, e acredito que vou gostar desse romance.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

    ResponderExcluir
  5. "e lá estava ela, chorando por macho" hahahha
    Nossa, se tem uma coisa que me dá nos nervos em romance de época são idéias legais esquecidas no churrasco, como a personagem principal desconstruída, badass e fora dos padrões que os autores constroem para depois mergulhá-los novamente nos velhos clichês e situações como essa do desespero da protagonista e seu choro pelo mocinho. Gostei muito da sua resenha e, para não passar pelas mesmas frustrações, vou passar a leitura.
    Ah, essa capa é mesmo linda!

    Beijos!

    ResponderExcluir
  6. Oie!
    Nossa, pensa numa pessoa completamente surpresa com a sua resenha, sou eu! Amo a Julia e seus romances. A sua resenha foi a primeira que li sobre essa historia e meu Deus, que balde de gelo voce jogou na minha cabeça hahaha
    Adorei a sua sinceridade e a razão que deixou bem explicita por nao ter gostado, mas acredito que vou me aventurar mesmo assim,

    beijos

    ResponderExcluir
  7. Sinceramente não me agrada personagens que começam a agir a 180° do que foi descrito que seria sua personalidade. Dá a sensação de que em algum momento quem os criou se perdeu em seu próprio enredo. E que pena que a personagem é só um reflexo de seu meio; não é isso que o título dá a entender. Não sei se leria essa obra, quem sabe um dia. Bexus @prefirolercomcalma

    ResponderExcluir
  8. Olá, tudo bom?

    Confesso que gosto de romances de época, apesar de já fazer muito tempo que não leio e não ter lido essa autora. É uma pena que a história seja assim e agora não estou com a mínima vontade de ler. Uma mocinha que, teoricamente é forte, decidida e que foge as regras, mas chora por causa de macho? Tô fora, pego meus outros livros e vou embora! rs Talvez eu leia outros livros da autora, mas esse definitivamente não será.
    Abraços.

    ResponderExcluir
  9. Eita!
    Eu ainda estou lendo os Bridgertons então vou demorar a chegar neste, mesmo assim as expectativas estavam altíssimas por aqui. Nunca passou pela minha cabeça que um livro da Júlia teria tantas falhas assim, confesso que fiquei com um pouquinho de receio de não gostar da leitura, mesmo assim não vou descartar por completo, só vou esperar menos da história e ver o que acho quando chegar a minha vez de lê-lo.

    Abraços!
    Nosso Mundo Literário

    ResponderExcluir
  10. Eu li toda a serie Os Bridgertons e gostei bastante e por isso, tenho uma expectativa alta para qualquer livro da autora, mas pela sua resenha percebi que preciso ir com menos sede ao pote com esta história aqui. realmente eu esperava conhecer mais do Edmund e vi que não terei essa minha expectativa alcançada. Pena também ser fraco. A capa é tão linda que eu imaginava que seria ainda melhor que a outra série. Que pena!!!

    ResponderExcluir