[RESENHA] Poesia & Provocações


Oiii gente, hoje eu vim falar com vocês sobre "Poesia & Provocações" do autor Mauro Felippe. A obra "Nove", foi seu primeiro lançamento, em 2014, seguido de "Ócio", 2016, "Espectros", 2016, e "Humanos", que foi lançado no ano passado.

O autor começou sua carreira de escritor ainda na adolescência. Depois de mais de trinta anos ele resolveu garimpar seus antigos textos, voltou a casa dos pais e procurou um antigo caderno do colégio, com todos os seus antigos escritos, e descreve ter chorado após reler seus sentimentos adolescentes, suas inspirações e desabafos. Deste caderno, o autor resgatou algumas reflexões, mas a maior parte das obras foram escritas já na fase adulta. 

As quatro obras são compostas de textos de cunho psicológico, filosófico e subjetivo. Os temas abordados nos textos são muito reflexivos e realistas, de uma profundidade imensa.

Nas notas, o autor recomenda que os textos sejam lidos em dias diferentes e aleatoriamente. Pois você não é o mesmo quando volta a ler a mesma página, mesmo que seja no dia seguinte. Convicções de hoje, ideias e opiniões podem se mostrar diferentes amanhã, e está tudo bem. Hipocrisia seria continuar com as mesmas conclusões quando, involuntariamente, você não é mais o mesmo.


As obras me fizeram refletir muito, dos meus sentimentos mais bobos à questões sociais mais serias. Alguns textos parecem um choque de realidade, você tem uma certa consciência daquilo, mas só quando lê percebe o quão real é.

As poesias tem cargas emocionais muito fortes, o que eu acho incrível. Quando estamos escrevendo uma poesia, você se abre para todos os sentimentos, desenterra todas as coisas guardadas, e as vezes até descobre uma coisa que antes você não fazia ideia de que poderia sequer estar ali, e eu acho isso maravilhoso, o mesmo ocorre quando se lê uma poesia. 

Um mesmo texto te faz refletir sobre várias coisas, e cada um pode ler e entender do seu jeito, cada um pode sentir do seu jeito, sem necessidade de erudição, só sentimentos e empatia. O autor consegue colocar em suas poesias tudo aquilo que muitas vezes nos passa despercebido. 













As obras abordam diversos temas, entre eles, a religião e a fé. Duas palavras que muitos confundem, e que não necessariamente precisam caminhar juntas. Ter fé é acreditar que algo seja possível no agora, é confiar no melhor, mesmo com nenhuma certeza. Já a religião é algo imposto por alguém a você, até que tenha conhecimento suficiente para concordar ou não com ela. A religião serve para que grande parte das pessoas manifestem a sua fé, mas é ainda melhor quando você tem fé no hoje, em você, antes de procurar meios para utiliza-la.


Os temas abordados pelos textos tem uma subjetividade muito profunda, e muito realista, que te fazem viajar em meio a várias discussões mentais. Eu particularmente amo poesias e frases que me fazem pensar, não gosto de apenas ler algo e tomar aquilo como verdade, pois essas, são sempre pensamentos de outras pessoas, gosto de formular meus próprios pensamentos. 

"Opressão" foi uma poesia que me chamou muito a atenção. Às vezes tentamos falar  sobre certos assuntos sem o conhecimento necessário, e acabamos por dar opiniões com base no que vivemos, nas nossas regras sociais e na nossa concepção de ética e moral, mas esquecemos de levar em conta que se fossemos criados em lugares com culturas diferentes, teríamos uma grande inclinação a pensar e agir de acordo com o que aprendemos. 

Geralmente em países influenciados pela religião é ainda mais difícil uma mulher ter voz, o que é deprimente. Assim que li essa poesia, fiquei perdida em milhares de pensamentos sobre esse tema, queria que a solução fosse assim tão fácil, apenas libertar-se, mas sabemos que tem muito chão antes disso. 

  
O passado, bom ou ruim, é o que nos faz ser quem somos, mas não devemos ficar presos a ele, se ficarmos, quase não sobra tempo para viver o hoje. Também não devemos nos acorrentar a planejamentos para o futuro, pois enquanto isso a vida passa, mais um dia em branco. 

Às vezes as pessoas passam a vida toda correndo atrás de coisas que elas pensam querer e precisar, mas quando conseguem, descobrem que não a queriam de jeito nenhum, mas no fim não tem como voltar do início e começar outra vez, a vida é uma só. Então viva, o mais intensamente que você puder, aguente firme e valorize cada instante, não deixe passar nenhum dia sem tirar o máximo dele, pois você nunca mais voltará a ter esse tempo. Deixe para se preocupar com o amanhã quando ele chegar.


Estamos criando uma geração em que falar o que sente virou sinal de fraqueza, valorizar e cuidar de uma amizade se tornou coisa do passado. Tudo é motivo para desistência, ninguém conversa mais sobre os problemas para tentar resolver, hoje em dia as pessoas são descartáveis.

Uma coisa que deveria vir com tanta naturalidade, hoje se tornou raro. O problema das pessoas é querer enquadrar um colega como amigo, (colegas, você tem aos montes), e quando se decepcionam, dizem não acreditar em amizades verdadeiras, ou que nunca se pode confiar em ninguém. Mas, não se pode confiar em ninguém ou você não sabe escolher em quem confiar?

Essa frase me fez pensar em como nós temos a mania de olhar para alguém que admiramos e pensar em como gostaríamos de ser essa pessoa, ou de ter essa pessoa por perto, por tudo que ela é ou por acharmos que ela tem uma vida perfeita, acredito que todo mundo, ou a grande maioria das pessoas, já pensou isso. 

Mas esquecemos de lembrar da outra vertente da história, essa outra pessoa, ao qual só vemos sorridentes e em bons dias, parecendo não se incomodar com nada, também tem seus dias ruins, ela também desmorona, também tem problemas, também tem seus defeitos. 

E as vezes lutamos tanto para ter esse alguém por perto, por só ver as coisas boas dela, que quando conseguimos, acabamos por desejar não ter conseguido, pois quando esse alguém mostra seu pior lado, dificilmente o que antes o admirava vai querer ficar. Tudo isso abala ambas as partes, e começa a gerar um desinteresse em demonstrarem os sentimentos, pois acham que não vale a pena. (Isso faz sentido?! Até eu estou perdida com o que falei.)  


Várias poesias do autor retratam a morte, e essa poesia em particular, me deixou fascinada. O tema, as vezes com carga tão pesada e seria, foi retratado de forma branda e tênue. Não sei dar corda ao meu raciocínio para essa poesia, se eu fosse colocar em palavras, acredito que não faria sentido algum. Por isso, deixo a cargo de vocês interpretarem da maneira que acharem que seja a correta. 

Além da profundidade tratada nos textos, as imagens me cativaram bastante, me perdi em meio as poesias, não sabia se eu as entendia ou se eram elas que me entendiam. No geral, gosto de livros com poesias independentes, de poesias de amor às poesias com críticas sociais, e os livros do Mauro preencheram todos os requisitos. 

As artes das capas são incríveis, de cores vibrantes e com imagens que dão linha a vários pensamentos, além de serem em capa dura, as páginas são em papel de foto, o que eu amei. Cada página é ornamentada com imagens, a maioria um tanto quanto surreais, e eu achei incrível como elas casam bem com os textos. Os quatro livros tem participações especiais dos filhos do autor, com textos ou rabiscos, como ele próprio descreve. 

No começo das obras, vêm uma nota do autor, que eu adorei, ele explica o título dos livros e faz várias observações, e também prefácios.  

Quanto a nova ortografia já utilizada no país desde 1 de janeiro de 2009, o autor acha melhor não utilizá-la, ele prefere fazer uso dela em outra oportunidade, ou em uma nova edição. Ele deixa claro os motivos nas notas. Não é uma coisa que incomode na leitura, pelo menos não para mim. 

Gostaria de ter colocado mais imagens, só não coloquei porque alguém, (cof cof, Jéssica), não deixou. Mas ela talvez tenha razão, porque eu colocaria todos os livros aqui kkkkk 

Bem, acredito não ter falado tanto quanto gostaria sobre essas obras, mas se você é um amante de poesias assim como eu, eu super indico os livros do Mauro Fellipe.








Título: Nove/Ócio/Espectros/Humanos | Série: Poesia & Provocações
Autor: Mauro Fellipe|Editora: Independente| Ano: 2014, 2016,2016,2017



Comentários
10 Comentários

10 comentários :

  1. Oi.

    Ainda não conhecia esse livro. Gostei do fato de ser recomendado que seja lido em dias diferentes e de forma aleatoriamente, eu costumo ler esse tipo de livros de uma única vez, mas gostei dessa forma, acho que torna a leitura ainda mais prazerosa.

    Beijos.

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  2. Miiiiiiii <3

    Tudo bem? Então, sim, eu pus limite mesmo na quantidade de imagens no post por motivos de: você ia colocar um milhão hahahahahaha

    Esses livros são absolutamente lindos e eu quero os quatro emprestados porque realmente amo poesias, mas só aquelas que trazem algum tipo de reflexão e é exatamente o caso dos livros do Mauro Fellipe!

    Fico muito feliz que tenha gostado tanto dos livros (pra quem não sabia se queria ou não foi ótimo ter solicitado!). Essa questão da ortografia você não havia comentado comigo, mas achei legal o autor trazer notas sobre isso nas edições.

    Enfim, os livros parecem valer muito a pena e depois de ler o que você achou com certeza quero conhecer os textos e me dar essa chance de reflexão também!

    Beijinhos - Jessie

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  3. Oi! Você teve um sentimento ao resenhas esses livros, deu pra perceber! Eu não sou uma leitora de poesias ou poemas, mas confesso que os trechos que você separou, e sua análise deles me deixaram pensativa realmente. Gostei de conhecer o autor e seu trabalho. As edições estão lindas, eu vi a Jessie abrindo, e fiquei encantada com tantas cores, o que de fato faz sentido, se formos analisar quantos sentimentos têm presentes nas páginas.. Obrigada pela resenha!

    Bjoxx ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  4. Oi, Mi.
    Eu não sou fã de poesia ou livros com textos assim, mas tenho amigos que adoram e com certeza vamos repassar a dica!! Os livros parecem lindos e acho que eles vão amar!
    Adorei saber sobre sua reação aos textos!!
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  5. Oi, Mi. Como vai?
    Eu ainda não conhecia o autor nem os seus livros, mas eu adorei conhecê-los aqui na sua postagem. Eu gosto muito de poesias e ainda mais quando elas nos colocam a pensar e refletir sobre certos assuntos. Achei a sua resenha bem completa e você me deixou curiosa para ler as obras do autor.

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  6. Oi Mi,
    Adorei as imagens do livro e algumas reflexões. A que eu mais gostei é sobre o passado, presente e futuro. Infelizmente não sou muito fã de poesias, por isso vou deixar a dica passar.
    Beijos,
    André | Garotos Perdidos

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  7. Olá...

    Confesso que eu não sou uma pessoa que lê poesias, e hoje, lendo a sua resenha acredito que quem está perdendo sou eu. Me apaixonei pelos trechos que você selecionou e a suas palavras sobre eles. Curto muito livros que nos botam para refletir e por conta disso, adorei sua dica.

    Beijos

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  8. Oi Mi,
    Não tenho o hábito de ler poesias, mas fiquei muito interessada em ler esse livro, pois gosto quando uma obra nos faz refletir desde as coisas mais simples até as mais complexas. Concordo contigo que, quando gostamos de alguém, acabamos por não ver as partes ruins dessa pessoa. Também gostei muito das fotos e dos poemas que você colocou.
    Vou anotar a dica.
    Beijos

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  9. Oi, tdo bem?

    Não sou muito inclinada em ler poesias, mas o que me chamou muito atenção foi na edição e diagramação moderna do livro. Não conheço o autor, então, por não conhecer provavelmente lerei se encontrar na livraria. Adorei sua resenha!

    FALANDO DEMAIS

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  10. Olá, tudo bom?

    Confesso que não tenho costume de ler poesias e não faço isso desde a época da escola. Porém, fiquei bem curiosa com essas obras, já que o autor consegue fazer o leitor refletir e trata de temas importantes, como a fé e a religião - e, pelo jeito, ele fez um bom trabalho. Quero muito ver como ele abordo todos os temas, como desenvolveu o seu trabalho e se eu vou gostar tanto quanto você. Espero conseguir ler logo <3
    Abraços.

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