[RESENHA] Mil Palavras


Oi gente! Hoje vim falar com vocês sobre Mil Palavras, da Jennifer Brown,  um lançamento recente da Editora Gutemberg e que foi uma leitura com alguns altos e muito baixos. Então para saber mais continue lendo.

Ashleigh é uma adolescente apaixonada por seu namorado, Kaleb, e tudo parece perfeito entre os dois, mas o garoto, que é um ano mais velho que ela, acaba de se formar e está indo para a faculdade. E qual o problema? Ah, é que ele só quer passar as férias de verão com os amigos e acaba se esquecendo completamente da namorada que se sente deixada de lado.

Durante a tradicional festa de sua amiga Vonnie, Ash recebe um conselho: ela devia enviar uma foto nua para o namorado, assim ela poderia ter toda a atenção dele novamente, já que ela estaria oferecendo algo que os amigos não podem. Bêbada e carente, a adolescente acaba fazendo exatamente isso. O resultado surge logo: Kaleb fica absolutamente feliz com a imagem já que ele nunca tinha visto Ash assim (a garota é virgem).

O problema é que aparentemente um dos amigos com quem Kaleb tem passado um tempo diz que viu a foto, ele nega, mas Ash não acredita muito, mesmo assim decidi dar um voto de confiança ao cara que ama (afinal ele disse que só FALOU sobre a foto e não mostrou a ninguém!). Os dias se passam e eles vivem uma fase ótima, mas logo as férias acabam e o casal é obrigado a se separar o que faz surgir todos os problemas entre eles.

Sem aguentar mais a relação tumultuada que está tendo, Kaleb volta para casa disposto a terminar tudo com Ashleigh e ela não consegue lidar bem com o fim do namoro o que faz com se suas amigas entre no meio e façam algo para dar o troco, mas Kaleb fica furioso e faz algo terrível: manda a foto de Ash para todos. Como é que ela pode superar isso agora?

Eu estava bem ansiosa por esse livro por causa da temática (falei disso aqui!) afinal revenge porn ou pornô de vingança é um tema sério e deve ser abordado de uma forma a não piorar a situação de quem passa ou já passou  por isso, mas confesso que não estava nem um pouco preparada para o ponto de vista da Jennifer. Ela deixa claro, durante todo o livro, que se Ash não tivesse tirado a foto nada daquilo teria acontecido e esta, minha gente, é a forma ERRADA de ver a situação! 

O fato é que desde o começo não entendi por que diabos a Ash havia sido sentenciada a cumprir serviço comunitário, no decorrer da trama entendemos que é por que ela é acusada de distribuir pornografia infantil, mas opa! Pera lá! A personagem mandou uma foto DELA para o NAMORADO e ele mandou pra sei lá quantas pessoas e que mandaram pra sabe-se lá mais quantas e é ela quem está pagando? Como é que isso é razoável? 

Há também a questão de a sociedade local enfiar o Judiciário no meio pedindo por uma solução. Nem vou entrar no mérito de que a pressão popular não pode fazer um juiz ou promotor agir de forma tendenciosa, vou apenas levar em conta que os sistemas americano e brasileiro são completamente diferente.

Outras milhares de coisas me incomodaram durante essa leitura, mas nenhuma delas superou o fato de que a personagem não tem qualquer apoio da família ou dos amigos, em certo ponto todos só estão preocupados em como aquilo os afeta e se afastam, ninguém pensa na Ash, na vítima, no que ela está passando. Foi bastante desagradável perceber isso.

Em certo ponto ela começa mesmo a assumir parte da culpa, o que é bizarro! Uma adolescente, que está namorando um garoto a um ano, não pode explorar a sua sexualidade? É algo natural, mas que todo mundo se achou no direito de julgar. Cada pai e mãe do livro só sabia falar sobre o quanto aquilo afetava o próprio filho, mas não se atentaram de que seus "anjinhos" estavam atacando e maltratando uma garota diariamente.

Houve um milhão de pontas soltas dentro da história, mas nenhuma delas me incomodou mais do que o fato de eu não saber que fim teve essa questão pro Kaleb, era um fato que merecia uma resolução e não que fosse deixado de lado, afinal ele provocou tudo isso e não saber o que aconteceu com o personagem me fez ficar com uma sensação imensa de impunidade.

Enquanto isso, não aguentava mais ver Ash sendo punida por seus pais, amigos, sendo suspensa por tempo indeterminado e expulsa do time de cross-country. A junção desses dois componentes me deixou absolutamente indignada enquanto lia, afinal a autora decidiu que só um lado merecia ter a vida transformada em um verdadeiro inferno. 

Entendo que a Jennifer tenha tentado criar um enredo realista onde ela mostra que há certas consequências para certos tipos de coisas que acontecem, mas uma mulher não pode ser chamada de "puta", "vadia", "piranha" e sei lá mais o quê apenas por ter uma vida sexual ou por querer fazer algo mais ousado com seu parceiro. A vida íntima de uma pessoa pertence a ela e a mais ninguém e isso parece não ficar muito claro no decorrer da trama.

Acho que a melhor coisa desse livro foi lê-lo com a maravilhosa da Bru do Um Oceano de Histórias. Isso tornou mais fácil algumas coisas já que nós tivemos impressões tão parecidas a respeito da narrativa.

Mil Palavras foi uma leitura difícil, eu lia vinte páginas e parecia que eram duzentas. O tempo todo me sentindo mal com o rumo que as coisas foram tomando e com a falta de explicação da autoea pra certos comportamentos, que no final, pra fechar a história, ela só começa a mudar. Sem quê nem por quê. Isso é irritante.

Mas como nem tudo foram pedras, Mack acabou sendo um personagem legal, mas esperava mais participação dele no enredo pelo que a sinopse prometia. Além disso, a história dele só foi revelada nos quarenta e cinco do segundo tempo e ficou e me deixou cheia de perguntas: ele vai continuar na mesma? A Ash e ele vão manter contato? Que tipo de relacionamento eles dois vão ter? Os pais dela vão ajudá-lo? Nada disso tem resposta e eu odeio esse tipo de coisa.

A capa desse livro é absolutamente maravilhosa e tem tudo a ver com a trama. A diagramação é bem simples, como podem ver e temos uma mensagem de texto no começo de cada capítulo que acontece no passado. Quando estamos no presente vem apenas mostrando em qual dia do serviço comunitário a Ash está.

Mil Palavras pra mim foi um livro decepcionante e que presta um desserviço a todas as mulheres quando traz a questão da culpabilização da vítima, ao invés de abordar pontos que são de fato relevantes e poderiam ajudar muito a pessoas que passam por esse tipo de situação, então se quiser ler algo que fale sobre revenge porn e que seja realmente incrível sugiro a leitura dos livros Profundo e Intenso da Robin York.








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