[RESENHA] Dois Garotos Se Beijando


Oiii gente, hoje eu vim contar para vocês sobre o livro Dois Garotos Se Beijando, do David Levithan, lançado pela Editora Galera Record. Continue lendo para saber um pouco mais sobre essa obra maravilhosa.

Tariq é um garoto muito bem resolvido consigo mesmo, ele é gay e se sente bem com isso. Um dia ele está na rua, esperando o pai buscá-lo, e é quando vários jovens vem em sua direção e começam a espancá-lo, só por ele ser quem é. Sabendo desse acontecimento, Craig, também gay, vai visitá-lo, e sente algo se partindo dentro dele ao ver Tariq tão machucado, não só externamente, mas internamente também, então ele tem uma ideia de protesto, que envolve o Book of Records e duas bocas.

Harry e Craig estão se beijando agora, eles não são namorados, já foram um dia, mas hoje, eles estão se beijando com um objetivo. Será o beijo mais longo da vida de ambos, pois por 32 horas 12 minutos e 10 segundos eles tem que ficar com os lábios juntos, para que consigam quebrar o recorde mundial de beijo mais longo.

Os dois sabem que isso será super difícil, não só pela condição física da coisa, mas pelo lado emocional. Eles estão no jardim de uma escola, a transmissão é ao vivo, e tem várias pessoas se juntando ao redor para ver. Nem todas apoiam o que estão fazendo, e isso fica cada vez mais fácil de perceber quando o acontecimento começa a tomar proporção mundial.  Eles querem mostrar ao mundo que duas pessoas se beijando é super natural e bonito, independente se as pessoas em questão são do mesmo sexo ou não.

O livro é narrado em primeira, segunda e terceira pessoa, o que eu achei bem interessante, realmente não me lembro de ter lido algum livro com este tipo de narrativa antes. A história não é só sobre um beijo, ela o tempo todo traz reflexões sobre vários assuntos, fazendo uma comparação entre o passado e o presente. A voz é basicamente de gays da geração passada (homens que já estão mortos, que tiveram que lidar com a invisibilidade, com a luta com a disseminação da AIDS, que antes era praticamente uma sentença de morte para a comunidade LGBTQ) contando e aconselhando gays dessa geração.

Dentro da trama nós encontramos outras histórias além da do Harry e do Craig. Acompanhamos Neil e Peter, eles são um casal, mas a família de Neil não aceita muito bem a situação, e preferem não falar sobre isso. Já a família de Peter é mais aberta com ele e dão total apoio.

Avery é transexual, um menino que nasceu com corpo de menina, e ele acabou de conhecer Ryan numa festa gay, mas está super nervoso com a possibilidade de que Ryan não o aceite depois que souber a verdade. Já Cooper está sozinho, ele cria perfis fakes em aplicativos de sexo e vira as noites conversando com outros homens. Mas um dia ele acaba pegando no sono e deixa as conversas abertas, e seus pais acabam lendo tudo e dão início a uma briga, o que faz Cooper fugir de casa e ficar vagando sozinho pela cidade.

O livro não é dividido em capítulos, ele simplesmente intercala as histórias dos garotos, e eu fiquei super apaixonada com essa dinâmica, deu super certo, porque não é igual a sentir que o capítulo nunca acaba, a cada separação a história de outro personagem recomeça. 

Cada personagem está em um estágio de aceitação pessoal, e é muito bonito ver a evolução de cada um dentro da trama, o autor traz medos e pensamentos reais (ainda que eu entenda, mas não compreenda alguns) que realmente temos no dia a dia, então fica muito fácil se sentir próximo dos personagens e até se ver um pouco em algum deles (eu basicamente senti como se cada um deles fosse real)

O livro tem uma leitura leve e cativante, mas nada superficial, o tempo todo somos capazes de notar os posicionamentos políticos, a diversidade, a representatividade, discussões sobre direitos humanos e tudo o mais. Através da narrativa que sempre faz comparações sobre o passado e o presente, conseguimos ver toda a luta dos gays da geração passada, conseguimos ver toda a evolução que eles conseguiram para a geração presente, e é muito interessante acompanhar isso na leitura, claro que não é algo florido, mas é algo forte, que emociona. 

A história é colocada como um ato político também, além de uma expressão de amor. Para muitos, dois garotos se beijando é algo natural e bonito, mas para outros é equiparado a um crime, e dentro da trama, vemos isso o tempo todo, pois durante o beijo, os garotos recebem críticas o tempo todo, de todos os lugares do mundo, através das redes sociais ou pessoas que passavam pelo local do beijo ou até mesmo iam até a cidade só para criticar. 

Fiquei boba em ver como a realidade do livro não está muito distante da gente, teve um dia em que eu estava sentada na rua lendo o livro, e um garoto se aproximou e perguntou qual livro era, quando falei o nome, ele começou a rir com certo desdém e se afastou. 

O livro me mostrou que nós não devemos ser quem as outras pessoas esperam que sejamos, devemos ser aquilo que nos faz feliz, a insegurança vai estar lá as vezes, mas não devemos nos render a isso. Como Renato Russo disse: "A dor é inevitável, o sofrimento é opcional", a dor vai estar lá as vezes, mas você pode escolher pelo o que vale a pena sofrer e lutar. 

A edição do livro está uma gracinha, confesso que demorei para conseguir enxergar dois garotos se beijando kkkk quando peguei no livro eu juro que vi as palavras mas não o que formavam. As folhas são amareladas e a diagramação é simples, com uma fonte de tamanho bem confortável. 

Dois Garotos Se Beijando é um livro maravilhoso, que me fez refletir sobre vários assuntos. O livro é muito mais que um romance LGBTQ+, é um relato de amor, amizade e empatia. Simplesmente incrível, uma história que não saiu da minha cabeça até hoje. Leiam!! 

                       Título: Dois Garotos Se BeijandoPáginas: 217 | Autora: David Levithan
                        Tradutor: Regiane Winarski | Editora: Galera Record | Ano: 2015


             
                                               











Comentários
5 Comentários

5 comentários :

  1. Tenho esse livro na minha estante já tem um bom tempo, mas ainda não li, mas me animei em saber que apesar de ser uma leitura leve e cativante ele ainda traz boas reflexões. Uma ficção tão próxima da nossa realidade precisa ser lida. Vai entrar na fila para próxima leitura.

    Abraços.

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  2. Percebi pela sua resenha que a obra possui assuntos polêmicos, mas necessários e quem ler verá que é um assunto para se refletir muito. Valeu pela dica.

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  3. Oi, Mi!
    Eu já vi diversas resenhas sobre esse livro, mas nunca tinha parado para ler a sinopse e por causa disso, nunca tinha ficado muito interessada. No entanto, a sua resenha está tão boa que realmente fiquei curiosa com a história.
    Me parece que não é só um romance LGBTQ+, mas também um protesto e achei isso muito importante!
    Sua resenha está maravilhosa! Parabéns!!!
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/

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  4. Oi Mi!
    É um tabu ler livro assim perto de pessoas, algumas vão assustar e outros vão se interessar, o importante é o que realmente pensamos, não é verdade?
    Gostei do enredo por ela fazer nós repensar e refletir sobre algumas coisas, os personagens me parece bem construídos e a história de cada um cativante. Parabéns pela resenha fiquei bem curiosa sobre a repercussão da trama, bjs!

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  5. Olá,
    ainda não li nada desse autor mas tenho interesse, inclusive em "Dois garotos se beijando", é tão triste quando lemos uma história que aborda preconceito e intolerância e percebemos que trata-se de um retrato da nossa realidade. Sonho com o dia em que as pessoas serão livres para serem como são, sem julgamentos ou ataques.

    Abraços!

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